DENIS RIVERA
O CARTEIRO
ou a caneta
Moro num 13 andar e só vejo envelope por debaixo da porta. Conta. Panfletos. Impressos.
Selo, nem sei mais o quê comemoram ou que desenho têm. Letra então, não reconheço nenhuma que não seja Arial ou Times New Romam. Tô com saudades de carteiro na porta de casa, com envelope de papel escrito a mão com caneta. Tinteiro (tá certo, esferográfica serve).
De criança estudei caligrafia no Ateneu Santa Amélia, em Santos. Aquelas linhas estranhas do caderno de caligrafia não permitiam que o "t" ultrapassasse determinado tamanho e que o "q" não passasse da linha de baixo. Todas as outras letras tinham que caber dentro de duas paralelas. Eu adorava caligrafia! Meu Professor, o Seu José (José Lopes dos Santos) que também era o diretor da escola e que até hoje dança um samba como ninguém nas gafieiras de Santos, tinha uma letra maravilhosa, daquela deitadinha pra o lado, escrita a pena, com direito a mata borrão pra secar a tinta. Meu pai, Seu Luciano, também. Escrita deitada. Letras caprichadas. L com voltinhas. E eu já gostava de escrever do alto dos meus cinco anos.
Tenho diários. Agendas desde 79 e cadernos vários. Tudo escrito em papel e caneta (fiquem tranquilos, não pretendo publicar).
Tenho diários. Agendas desde 79 e cadernos vários. Tudo escrito em papel e caneta (fiquem tranquilos, não pretendo publicar).
E vejo minhas canetas aqui do lado. Vermelhas, pretas, marrons, azuis, verdes, amarelas, cor de abóbora, lilás (como será o plural de Lilás? Mônica Lima me socorreu: liláses) cor-de-rosa, prateada, dourada, purpurinada (arg !!!) e mais umas trinta que eu consigo contar. Uma viagem pela minha vida nos últimos anos. Uma azul marinho fosca com detalhes em prata, oferta da Márcia Villermor – mulher que para ser melhor é só continuar sendo o que é. A azulzona escandalosa, grossa, trazida da BandNews FM por alguma alma bondosa. Uma muito querida – preta fosca, que veio na bagagem de Sampaio trazida da estação de esqui do Principado de Andorra. Paper Mate prateada, com dois coraçãozinhos gravados. Essa deve ter uns trinta e cinco anos... foi presente de meu pai. Outra prateada e dourada, fininha, lapiseira incluída. LAMY é uma das minhas favoritas (do Giácomo também). A fábrica é na Alemanha, Hilderberg, a cidade onde nasceu a mulher que arrebatou o coração do nosso amigo Tucano, a maravilhosa Izabella. Tem uma branca, roller. Presente de Lula Larangeira num almoço no Esplanada Grill em Salvador, 1986. Tinteiro tem azul, cinza, amarela, vermelha e grafite. Todas maravilhosas. Tenho uma Spalding prata. Gostosissima. Uso muito. Também um conjunto lapiseira e caneta Spalding preta, presente do todo poderoso diretor financeiro da Rede Bahia Isaac Eddington. A caneta nem é nada ... mas a cena é.
O entrevistado do Jornal da Manhã era o Senador Antonio Carlos Magalhães. A comissão de frente chega um dia antes e na hora em que o Senador entra é uma coisa para ser descrita em outro momento. Todos os diretores da Rede Bahia estavam no estúdio e eu, já sentada, naquela hora em que não é possível mais levantar, descubro que não tinha uma caneta na mão. Sabia do gosto do Isaac pelo "acessório" e no meio daquele ar pesado, eu grito:
- Isaac ? (Um décimo de pesado segundo antes dele já de pé responder)
- Sim Denis! E eu:
- Isaac você pode me emprestar uma daquelas suas maravilhosas canetas?
Isaac, constrangido, passou por alguns dos diretores e puxa-sacos de plantão e me entregou uma Spalding preta. Devolvi no dia seguinte com um bilhete dizendo que eu não teria feito tão bem a entrevista se não tivesse usando uma boa caneta (o que é a mais absoluta verdade). Isaac então ... que é um lord inglês, me deu de presente a caneta e a lapiseira – que estão aqui me olhando orgulhosas mas morrendo de saudades dele ...
Tem Parker tinteiro. Outra prateada pesada, presente do Shopping Iguatemi. Ali na ponta da mesa, está a caneta Egipcia vendida no camelô (lá) e que faz o maior sucesso. Mais uma prateadinha de camelô aqui da Barra mesmo. E ...
* Uma INOXCROM prata que não seria nada se não fosse do Paris St Germain e se não tivesse sido trazida pelo meu diretor Carlos Libório. Uso com cuidado.
O entrevistado do Jornal da Manhã era o Senador Antonio Carlos Magalhães. A comissão de frente chega um dia antes e na hora em que o Senador entra é uma coisa para ser descrita em outro momento. Todos os diretores da Rede Bahia estavam no estúdio e eu, já sentada, naquela hora em que não é possível mais levantar, descubro que não tinha uma caneta na mão. Sabia do gosto do Isaac pelo "acessório" e no meio daquele ar pesado, eu grito:
- Isaac ? (Um décimo de pesado segundo antes dele já de pé responder)
- Sim Denis! E eu:
- Isaac você pode me emprestar uma daquelas suas maravilhosas canetas?
Isaac, constrangido, passou por alguns dos diretores e puxa-sacos de plantão e me entregou uma Spalding preta. Devolvi no dia seguinte com um bilhete dizendo que eu não teria feito tão bem a entrevista se não tivesse usando uma boa caneta (o que é a mais absoluta verdade). Isaac então ... que é um lord inglês, me deu de presente a caneta e a lapiseira – que estão aqui me olhando orgulhosas mas morrendo de saudades dele ...
Tem Parker tinteiro. Outra prateada pesada, presente do Shopping Iguatemi. Ali na ponta da mesa, está a caneta Egipcia vendida no camelô (lá) e que faz o maior sucesso. Mais uma prateadinha de camelô aqui da Barra mesmo. E ...
* Uma INOXCROM prata que não seria nada se não fosse do Paris St Germain e se não tivesse sido trazida pelo meu diretor Carlos Libório. Uso com cuidado.
* Uma Mont Blanc preta tinteiro. Chegou junto o sorriso maroto de Sydney Rezende que sabe das coisas agora mais do que nunca. Escrevo com ela só coisas que são capazes de mudar.
* Um conjunto Sheaffers de ouro. Tinteiro e esferográfica. Dourada. Edição limitada. Ganhei nos meus quinze anos. É um modelo feminino. Não tem aquela haste para pendurar no bolso. Uso sim. E me lembro sempre daquele namorado que me apresentou, junto com o conjunto para escrever, uma Winchester 44 em 1968. Era para escrever também. Outras histórias.
* Outra Sheaffers. Cheia de pequenos losângos pretos desenhados em baixo relevo. O escritor famoso usava a caneta para os autógrafos no livro. Fez a dedicatória no meu, e dias depois recebi pelo correio a caneta e um cartão. Escrevo com ela só coisas de amor.
* Está aqui em cima da mesa a caneta meio Mondrian que foi presente da Renata. Renata Purri. Nossa, como eu gosto daquela danada! Renatinha e Marcelo me trouxeram de uma viagem a caneta assinada por 'Frank Lloyd Wright'. Tem o peso que eu gosto e tampa que sai. Perfeita. Todas funcionam muito bem e uso todas sim. Com todo prazer.
E então, me pego novamente com saudade do carteiro e de minha amiga Marta Cantalice, que escreve com caneta e papel e coloca dentro de um envelope e manda pelo correio. Pessoal. Instranferível. Único.
Claro que quero abrir minha caixa de e-mails e ver vários que me desejam de um tudo. Mas quero um presente do Papai Noel. Quero voltar a ver o carteiro deixar lá embaixo na portaria do prédio, um monte de envelopes de vários tamanhos, cores e letras. Quero voltar a reconhecer a letra dos meus amigos. Não só a assinatura ou rubrica em cima do cartão empresarial, mas a letra que escreve o meu nome. Bem música dor de corno no melhor estilo Dolores Duran: "num envelope bonito, no seu subscrito eu reconheci ... "
E então, me pego novamente com saudade do carteiro e de minha amiga Marta Cantalice, que escreve com caneta e papel e coloca dentro de um envelope e manda pelo correio. Pessoal. Instranferível. Único.
Claro que quero abrir minha caixa de e-mails e ver vários que me desejam de um tudo. Mas quero um presente do Papai Noel. Quero voltar a ver o carteiro deixar lá embaixo na portaria do prédio, um monte de envelopes de vários tamanhos, cores e letras. Quero voltar a reconhecer a letra dos meus amigos. Não só a assinatura ou rubrica em cima do cartão empresarial, mas a letra que escreve o meu nome. Bem música dor de corno no melhor estilo Dolores Duran: "num envelope bonito, no seu subscrito eu reconheci ... "
Mandem endereço com CEP e eu escrevo.
Pelo menos você vai ficar sabendo como é a minha letra.
(escrito em Dezembro de 2006)
Jolivaldo
CONVIDA
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